• Gabriela Paula Bustta Gonçalves

A ansiedade corre mais do que as linhas do TCC

Quais momentos fazem o seu coração sentir uma mescla de felicidade e insegurança? Para alguns a resposta talvez seria dizer que é ser pai e mãe de primeira viagem, para outros é viajar o mundo afora, se casar, mudar de empresa ou até mesmo mudar de casa e/ou apartamento. Adoraria me encaixar em uma destas cinco opções. Mas sabe o que tem feito o meu coração ficar assim nos últimos meses? A ansiedade em finalizar e ser aprovada no tão esperado e sonhado TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

Mas espera aí, eu esqueci de me apresentar a você, perdão. Meu nome é Gabriela Busatta, todos ao meu redor me chamam de Gabi. Sou estudante de Jornalismo na Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó e curso o último semestre da graduação. No início deste ano me deparei com uma situação que já esperava, porém não estava preparada psicologicamente para o que vinha.


Sabe todo aquele medo que colocam sobre o TCC? Na realidade, ele tende a ser pior. Eu não sei como será com você, mas desde que iniciei minha pesquisa as espinhas não pararam de aparecer. E não, não é do chocolate ou afins, mas do estresse e preocupação que ainda tenho que lidar :( Mas calma, minha intenção aqui não é te assustar. Pelo contrário, quero compartilhar a minha experiência para que você tire um “notão” quando chegar a sua vez e aproveite ao máximo cada etapa.

Tudo começou lá no mês de janeiro, quando as aulas ainda nem tinham iniciado (sim, eu sofri por antecipação). Passei mais de 30 dias pensando e anotando qual seria o meu tema. Não foi fácil, afinal, eu queria encontrar uma temática que me surpreendesse. Não queria fazer nada parecido com o que já foi realizado no curso, pensava em algo novo, diferente, sabe?

Em determinada altura do campeonato, encontrei uma brilhante ideia (pelo menos pensava assim na época): fazer um produto que seja um manual de instruções sobre técnicas do marketing digital para os jornais impressos aplicar no dia a dia e permanecerem ativos. Dá pra acreditar? Lá ia a estudante de jornalismo querendo colocar a cabeça em uma área que mal entendia…


Eu ainda não sabia certo o que iria fazer e nem como, mas fui conversar com a professora que era pra ser minha orientadora. Tive duas conversas com ela, na segunda, descobri que ela não iria permanecer na universidade e que não gostaria de levar adiante nossas orientações. E agora??? Ainda bem que o super-herói Alexsandro Stumpf apareceu para me “salvar”. Ufa!



Se eu fosse descrever aqui tudo o que eu e o professor Alexsandro discutimos nas primeiras orientações para entender o que exatamente eu queria fazer no TCC, ficaria muito longo o texto e talvez você não terminaria de ler. Mas resumindo, mudamos o foco do tema!

A partir daí foi soco atrás de soco em meu jovem rosto. Agora até parece cômico, mas acredite, não foi nada parecido com isso. Iniciei a interminável busca por autores e conceitos da área que escolhi (leia até o final e descubra que tema ficou). Escrevi as primeiras 15 páginas e encaminhei para a primeira avaliação, lá na matéria do TCC I. Aquela sensação foi incrível, pois percebi que realmente estava iniciando a pesquisa que “resume” e “define” o meu aprendizado durante quatro anos de faculdade.

Depois desta entrega, a produção foi intensificada, afinal, faltavam longas e dolorosas páginas pela frente. Me vi um pouco perdida neste momento, pois não sabia por onde voltar a escrever. E foi aí, que infelizmente cometi uma grande falha, o temido plágio. Não me julgue, pois graças ao meu orientador eu pude perceber, amadurecer e corrigir. Mas confesso, essa foi uma das piores situações que vivi até aqui… Então aí vai uma importantíssima dica: em hipótese alguma se aproprie de um conceito que não é seu, e caso utilizá-lo, lembre-se de referenciar corretamente de acordo com as regras da ABNT.

Mas se você achou isso o fim, não sabe o que me esperava… Nunca pensei que minhas fontes demorariam dias intermináveis para me retornar e aceitar participar da pesquisa. Por determinados instantes, imaginei que não daria mais tempo de finalizar o que comecei. Mas aí ergui a cabeça, pensei coisas positivas e comecei a “infernizar” as fontes com mensagens constantes. Até que então eu tive o retorno (pelo menos parte) daquilo planejado. Quero aproveitar aqui para te dar outra dica. Antecipe a coleta de dados o máximo que puder, pois nunca saberá se as fontes te retornaram no prazo estipulado.

Finalmente eu tinha as respostas na tela do meu notebook. Foi aí que começou outra etapa fundamental: a digitação das respostas e a análise. Dá para acreditar que cheguei nesta parte? É uma sensação muito louca e apaixonante. Foi neste período que percebi que não precisa de mais ninguém além da minha dedicação diária. Não foi nada fácil (nada mesmo), mas a partir disso consegui visualizar de fato uma pesquisa com início, meio e fim.

Parece que a ficha ainda não caiu que estou finalizando o TCC… Nem aparenta que tudo isso começou lá em 2011, quando uma inocente menina de 12 anos decidiu cursar Jornalismo. Sim, já com 12 anos decidi fazer jornalismo porque tive o incentivo de professores após uma apresentação no ensino fundamental. Era um campeonato da escola onde cada aluno tinha um minuto para sintetizar os principais tópicos de sua apresentação. O prêmio era uma bola oficial de vôlei. Adivinha quem ganhou? Eu mesma :) Olhar para trás e perceber o quanto evoluí me assusta às vezes.

Não sei contabilizar quantos dias deste ano (2020) dormi e acordei pensando no que e como escrever. Nas frustrações que tive com algumas fontes por não ter o retorno esperado. Nos dias em que não consegui produzir nada, seja por motivos de saúde física, mental ou simplesmente porque não sabia o que pensar depois de um dia longo de trabalho. Nas vezes que tive que escolher entre fazer o TCC, limpar o apartamento, dar atenção ao esposo ou visitar meus pais. São inúmeros exemplos envolvidos nesta produção que não cabe citar todos. Mas uma coisa eu posso afirmar, meu maior vilão nisso tudo foi o tempo, pois quando pensava que estava no controle, ele vinha e me mostrava que não.

É, de fato, foram dias que necessitei ter persistência, acreditar em mim mesma e fomentar a esperança de que tudo daria certo, do jeitinho que era pra ser. Ainda estou vivenciando a fase mais louca, estressante e preocupada que tive até o momento. Mas confesso, viver tudo isso faz parte de um grande sonho, que é ser jornalista. Se cheguei até aqui é porque tive apoio e incentivo, então, irei até o final com um coração cheio de gratidão e com mais maturidade.

Ah, e pra você que leu até aqui para saber que tema afinal ficou definido, vou contar agora. Estou realizando uma monografia que tem o intuito de analisar como os diários do interior de Santa Catarina estão se adaptando diante da convergência midiática. Para isso, precisei do aceite da Associação dos Diários do Interior de Santa Catarina que conta com 16 integrantes. Destes, apenas seis decidiram participar da pesquisa. Ainda não sei qual será minha performance na apresentação da banca e muito menos o que os professores irão dizer. De qualquer forma, estou com um coração alegre por ter chegado até aqui e muito ansioso pelo resultado e aperfeiçoamento na pesquisa que virá futuramente. Em breve retorno e conto como foi o desfecho desta história (é óbvio que só vou retornar se for aprovada).


Por isso é hoje, até mais!



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