• Laura Fiori

Em tempos de pandemia, quem se adapta entrega o TCC

Acredito que todo estudante, seja do curso que for, já pensou pelo menos uma vez na vida sobre o que o aguarda no final da graduação: o temido e inevitável Trabalho de Conclusão de Curso. Pois é, o TCC chega para todos e se você, como eu, já pirou imaginando como seria passar pela experiência da produção de uma monografia, esse texto aqui é pra você.


Ao longo do curso de Jornalismo eu sempre me perguntei sobre o que eu faria quando a hora chegasse, qual seria o tema e quem seria meu orientador. Quando o último ano de graduação chegou e eu ainda não tinha decidido nada disso, o surto começou. Mas está aí um fato engraçado sobre o TCC, tudo acontece quando você menos espera.


O meu tema, por exemplo, veio quando eu passava aspirador de pó na minha casa em um dia normal de faxina. Isso mesmo, entre móveis levantados e um barulho ensurdecedor de uma máquina que suga sujeira, uma lâmpada se acendeu no topo da minha cabeça. “É isso! Vou fazer um estudo de recepção sobre o documentário Absorvendo o Tabu”. Juro pra você que foi assim mesmo. Depois disso, eu descobri quem seria a professora certa para me orientar na área que eu iria pesquisar e aí, pronto, decidimos os detalhes do trabalho. Como por exemplo, entrevistar quatro adolescentes e quatro idosas para falarem sobre o documentário.


Tudo parecia perfeito até então, era só dar início ao trabalho. Não demorou muito para que o TCC me surpreendesse mais uma vez. Ou melhor, um vírus vindo do outro lado do mundo que resolveu contaminar todo o planeta e nos obrigou a ficar bem trancados dentro de casa. Pois é, se não bastasse o ano da graduação em que tudo já é uma loucura, uma contaminação em massa dificultou as coisas, só um pouquinho.


A partir disso, eu passei a ignorar que tudo aquilo estava acontecendo e segui com a produção do meu projeto. Foi então que, em uma das minhas orientações por chamada de vídeo, Dafne, minha orientadora, disse que era a hora de encarar a realidade e adaptar a minha pesquisa para a pandemia. Afinal, como entrevistar idosas sendo que elas eram consideradas do grupo de risco? Foi então que eu comecei a contatar pessoas conhecidas para encontrar quem seriam minhas fontes antes mesmo de dar início à fase de campo da minha pesquisa.


Acho que essa é a minha primeira dica: esteja preparado para se adaptar a qualquer adversidade. Você pode até não precisar enfrentar o TCC em uma pandemia mas, se tratando desse trabalho, todo o cuidado é pouco.


Voltando para a busca por fontes, bem, em certo momento eu já tinha encontrado todas as pessoas que eu precisava graças a amigos próximos que indicaram pessoas que conheciam. Outra questão que precisei adaptar foi que, inicialmente, a coleta de dados seria feita a partir de um grupo focal. Por conta da pandemia, eu mudei o método de coleta para entrevistas em profundidade individuais com cada uma das minhas fontes. Ah, não posso esquecer, eu e minha orientadora decidimos que, pra ficar tudo bem explicado, eu faria duas entrevistas com cada mulher, uma sobre ela e outra sobre o documentário.


Além disso, cada uma delas precisaria assistir o documentário na Netflix sozinha para conceder a entrevista em seguida. Foi aí que as netas e filhas de algumas das idosas entraram em ação para ajudar com o serviço de streaming, colocando o documentário para que elas pudessem assistir.


Eu sei, talvez seja bastante coisa pra entender, mas se você ler direitinho faz sentido no final. Enfim, com tudo decidido, as entrevistas pelo Google Meet começaram. E não eram entrevistas curtas, algumas tiveram mais de uma hora. Agora pensa aqui comigo: uma hora de chamada de vídeo em uma entrevista sem nenhum imprevisto? É claro que não! Conexão ruim que me impedia de entender o que as entrevistadas estavam falando, barulhos de cães latindo, pessoas entrando no cômodo de uma das entrevistadas e interferindo na entrevista… Aconteceu de tudo um pouco. Inclusive, em uma das entrevistas, a bateria do celular de uma das idosas acabou. Eu só consegui ouvir ela falando “eita, a bateria acabou” e então, ela desapareceu. Eu fiquei lá, olhando pra mim mesma, esperando pra ver se ela aparecia ou ia ficar por aquilo mesmo. No fim, ela voltou e deu tudo certo.


E então chegou a hora mais temida, a que qualquer estudante de jornalismo já passou ou vai passar em algum momento de sua graduação: transcrever áudios infinitos. Esse foi o momento que mais me custou tempo. Vai aí mais uma dica: se a sua monografia depende de transcrição de áudio, se programe bem, ou você vai acabar como a coleguinha aqui e atrasar a sua pesquisa. Ao todo, foram 134 páginas de entrevistas transcritas.


Depois disso, vieram longas horas de análise, a qual, enquanto escrevo esse texto, posso afirmar que ainda não está pronta. Mas aí que está o ponto principal sobre o TCC: Vai ser difícil, vai demandar muito do seu tempo e você vai precisar abrir mão de algumas coisas enquanto produz o seu trabalho. Pelo menos essa é a opinião de alguém que trabalha o dia todo e precisa organizar o tempo para conseguir dar conta. Eu não sou um exemplo em termos de prazos, para ser bem sincera, meu cronograma deu completamente errado. Porém, no final, você sabe que vai ficar tudo bem.


Então, minha dica final é: se dedique, coloque todo o amor que você tem pelo seu trabalho na produção dele. A nota e a aprovação são importantes, mas é tão legal saber que você está colocando no mundo uma produção da qual você se orgulha, que te fez passar por vários perrengues, mas que contribui pro mundo de alguma forma. Fica aí a dica, calouro. Espero ter ajudado.

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