• Isabel Bevilaqua

Meu TCC é o meu interior

Como todas as histórias tem um começo meio e fim, vou começar logo do início. Entretanto, há um problema: eu cansei de seguir um planejamento, então decidi que essa história não teria um. O que ela tem, é conteúdo! E segundo a minha mãe, “é isso que importa”. Minha vida sempre foi de fases, até chegar a hora da vida adulta. Tinha lá meus 17 anos e já me preocupava em trabalhar para pagar o boleto da universidade, do ônibus, da conta de luz e água, e a última bem importante, a alimentação. Ah, sem contar a internet né! Criada na roça e vinda do interior de Jardinópolis-SC, mal sabia como me comportar na cidade grande, neste caso’ Pinhalzinho. Mas, aos poucos, fui aprendendo as manhas e me acostumando com a rotina bem intensa. Entrei para a universidade bem no dia em que comecei meu primeiro emprego como Operadora de Telemarketing numa agência de cursos profissionalizantes. O fato é que meu trabalho ficava em Pinhalzinho e a universidade em Chapecó, que daí já era praticamente uma metrópole pra mim. Todo santo dia, eu fazia o trajeto após o trabalho. O Jornalismo entrou para a minha vida quando eu estava indecisa se cursava Agronomia, Engenharia Ambiental ou Jornalismo. Foi uma época tensa; e só quem passa por indecisões; sabe do que estou falando. Mas enfim… o fato é que eu me apaixonei pela área e hoje não me vejo fazendo outra coisa. Consegui entrar para o mercado de trabalho, mais precisamente no jornalismo impresso, logo após dois anos de graduação. A partir do último ano do curso a saga iniciou: “Meu Deus, o que eu vou fazer de TCC?”. Foram momentos de apreensão e indecisão. Porém, no fundo do peito eu sempre soube o que mais gostava de fazer: contar e registrar histórias. Então a mágica aconteceu oficialmente quando no momento de escolher o tema, eu pensei que iria fazer um livro de crônicas do interior de Jardinópolis, minha terrinha.


Que sonho! Eu Isabel, planejando e construindo um livro do meu município. Lugar que me criei, estudei, vivi a infância e adolescência inteira, e que ainda não possui nenhum registro impresso. Sinceramente, lá no início achava muito louco conseguir chegar na reta final. Ainda mais como jornalista, escritora e cronista.


O destino as vezes é incerto, mas no meu caso ele se esforçou pra me deixar feliz e realizadíssima com a escolha do produto jornalístico e do tema. Pronto, duas coisas já estavam definidas, então iniciei a corrida contra o tempo. Que através de um bom planejamento, acabou se tornando uma caminhada.


No pré-projeto, tudo ainda era muito novo, mas não demorou muito para ficar mais claro e assertivo, chegando a parte da produção e da edição tão esperada. Posso dizer que não foram somente mil maravilhas, pois tudo tem o seu teor de dificuldade. Por exemplo, estar em meio a incerteza de não saber se seria possível realizar as entrevistas por causa do coronavírus; a tudo o que foi necessário para aperfeiçoar uma linguagem adequada para que todos os públicos pudessem compreender; e o tempo dedicado para ouvir novamente as histórias e encaixar cada uma de maneira diferente, às vezes até juntando as próprias histórias, com as histórias dos personagens. Estes foram motivos que, em momentos, fizeram abalar meu subconsciente.


Mas também posso citar alguns teores de facilidade com pitadas de emoções e aprendizados que foram se encaixando no decorrer dos meses. Por exemplo: a semana de folga do trabalho tão almejada para a realização de 15 entrevistas; a receptividade de cada família; as surpresas sobre as histórias de cada personagem, a particularidade encontrada em cada um e cada uma e com isso as experiências agregadas abrindo um novo olhar para o futuro; a sede de ouvir e contar histórias, vivências e costumes- que foi saciada. E, por fim, a maravilhosa sensação de dever cumprido.


Pra entender melhor, pelas minhas andanças durante a série de entrevistas e pessoas que pude conhecer mais de perto, me deparei com algumas situações. Uma delas foi com a família Seben, que tem a produção de cachaça artesanal na propriedade. Descobri que tudo tem o tempo certo para acontecer. Então, é como se fosse numa plantação de cana, por exemplo, é preciso plantar e cultivar primeiro, para depois chegar o momento da colheita.


Mas e qual seria o momento certo para colher a cana, Isabel?! Bom, nunca imaginava que iria descobrir ‘o segredo do estalo’. Pois essa é a resposta! É preciso um pequeno estalo seguido de vários outros no meio da plantação, para indicar a hora certa para a colheita da cana e o início da moagem. Com a nossa vida, não é diferente, os estalos são as ideias que surgem, e se nós soubermos aproveitá-las no momento certo, o produto final pode surpreender.


Depois deste resumo, a saga está quase chegando ao fim. Me encontro com o livro finalizado e a diagramação das 56 páginas de Word escritas em 2 meses e meio. Também me encontro com o relatório e/ou o artigo pronto. O livro eu chamei de “Interioranos- Crônicas: um olhar à singularidade do campo em Jardinópolis-SC”, pois busquei retratar a vida de famílias do interior, suas vivências, costumes e modos de vida. Minha primeira obra. Feita com muito amor e dedicação.


Através da linguagem inserida no Jornalismo Opinativo e literário, com o gênero da crônica, foi possível ir a fundo para abordar esses costumes e modos de vida do determinado lugar. Isso foi enriquecedor pra mim, pois além de receber a cada instante novas experiências à campo, foi possível aplicar conhecimentos sobre as técnicas das crônicas jornalísticas, onde pude relatar de maneira ordenada e detalhada certos fatos ou acontecimentos.


Se você ainda vai passar por essa fase, eu só tenho a dizer que a escolha dos personagens para a sua história é muito importante. Para isso, tenho uma dica: a única razão pela qual um personagem merece ser escolhido como protagonista é porque a história não pode existir sem ele. E quando a história é tão essencial, tão poderosa, tão significativa, ela merece ser escrita.


Até cansei do planejamento, mas eu não nego que ele foi essencial para que eu conseguisse chegar na “finaleira”, a qual me encontro. Então, além de pensar muito bem no tema, nas escolhas dos personagens, seja organizado com seu trabalho, que tudo fluirá muito bem.


Por hoje, é isso.

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