• Paula Luiza Eloy

Protocolo do TCC em quatro etapas


Como dizem, para ser alguém na vida você precisa trabalhar muito, estudar muito e se formar em algo que dê bastante dinheiro! Mas, ser alguém na vida é apenas uma consequência para mim. Eu quero ser apenas a Paulinha, uma pessoa que trabalha o necessário, estuda quando pode e está cursando a faculdade que ama, mesmo que isso não seja sinônimo de muito dinheiro.


Bom, eu me chamo Paula Eloy, trabalho em uma agência de comunicação, conhecida como EV Comunicação e estou cursando o oitavo período do curso de jornalismo. Sabe, aquela fase que a maioria dos acadêmicos temem ou esperam ansiosamente, inclusive eu? Sim, esperei por esse momento durante os três anos da graduação, tendo a convicção que faria o Trabalho de Conclusão de Curso, mais simples e fácil possível. O objetivo era entregar um trabalho bom mas que não me fizesse: perder a fome, passar noites em claro e nem perder os rolês com meus amigos. São coisas que me fazem manter minha sanidade mental, e com a sanidade mental em dia, TCC em dia.


Mas, foi nesta fase que eu tive a infelicidade de descobrir que, ou você é muito organizado a ponto de não deixar nada para última hora, ou você precisa perder sua sanidade mental para conseguir entregar tudo na última hora. Das duas opções, adivinha? Eu sou a segunda.

Lembro-me do dia em que precisei escolher o tema do meu TCC. Os professores falavam: escolham um assunto que vocês gostem e desenvolvem um TCC em algo que vocês tenham afinidade. E eles estavam certos, por experiência própria é muito motivador estruturar um trabalho e pensar nas infinitas possibilidades que ele vai lhe proporcionar, além disso, é gratificante sentir que fez a escolha certa. Meu TCC é um produto, uma revista digital sobre música no Oeste Catarinense. Apesar dos bolos que levei com algumas fontes - ok, porque estamos falando de jornalismo - cada uma das outras fontes entrevistadas, me proporcionaram momentos incríveis ao compartilharem comigo suas histórias e experiências.


Abre parênteses para algo muito importante aqui, quando você está ouvindo uma pessoa contar sua história, cuidado para não se emocionar mais que a fonte. Sabe por quê? Os riscos são: Chorar na entrevista, falar mais que a fonte e não conseguir cortar os áudios depois ou ficar mais que duas horas entrevistando e depois levar 15 dias para transcrever um áudio. Mas o maior cuidado mesmo é não deixar que isso tudo aconteça em uma mesma entrevista. É aí que mais cedo ou mais tarde o desespero vai rir da sua cara e você vai chorar!


Mas quando você é acadêmico, assalariado, que trabalha de dia para estudar de madrugada, sempre tem um irmão, um amigo, um namorado para te ajudar nestes momentos de desespero. Se existe uma fase que me orgulho muito do TCC, foram os 5 mêses antes dele começar. Fui guardando moedas e deixando reservado para possíveis emergências e foi neste momento que quebrei meu cofrinho e investi em um amigo para a criação da marca (Amplifica) e no meu namorado para dar uma forcinha na infinita transcrição dos áudios. Confesso que doeu para pagar, mas foi um grande investimento em prol do meu sacrifício.


Então com a marca criada, com os áudios transcritos, as entrevistas feitas, chegou a hora de começar a escrever as matérias. E aqui vai mais uma dica: o que você projetar que conseguirá fazer em 2 dias, joga o dobro. Por precaução e para não se perder no cronograma. Além disso, porque você não tem bola de cristal para adivinhar que vai ficar doente, vai precisar fazer hora extra no trabalho, sua mãe vai concorrer a vereadora nas eleições e que você vai se mudar de cidade. Pois é, eu não previ, mas sim, isso tudo aconteceu nos últimos dois meses de TCC. Apesar de parecer uma loucura, confesso que gosto de uma vida agitada, e até os prazos começarem a me atormentar, estava tudo ok.


E aí vem mais um ditado: “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Em meio a tantos afazeres, acabei não vendo os dias passar até meu orientador falar, “você precisa me entregar até tal dia” A cobrança é algo que te motiva a fazer mais de forma mais rápida, neste momento senti que estava em uma luta contra o tempo, a qual provavelmente a maioria dos estudantes passam, não só no TCC, mas também em alguns outros trabalhos acadêmicos.


Sentir vontade de desistir. Sentir-se um fracassado é assustadoramente normal! Mas sempre vão ter pessoas que vão te motivar e que vão te sugerir alternativas para seguir adiante. Foi neste momento que surgiu a ideia de solicitar a ajuda de um webdesigner para diagramar as matérias que eu já havia feito, no site. Com essa ajuda, aparentemente, eu conseguiria. Porém, três dias antes do prazo de entrega para a indicação do TCC à banca, esse webdesigner não havia me entregue nada, e aí sim, o desespero gargalhou na minha cara. Mas vejam, o lado positivo dessa história é que eu economizei R$200,00 que seriam destinados para essa diagramação.


Para quem ainda não sabe, existe um protocolo para essas situações:

1º Você chora muito.

2º Você chama seu orientador e explica a situação, cogitando a hipótese de trancar o TCC.

3º Você corre para o colinho dos seus pais.

4º Descansa, toma uma bebida alcóolica e esquece o TCC por um tempo.


Depois disso, suas energias se renovam e você se sente apto a voltar para a corrida. Lembrando que ela não acabou, mas, está chegando cada vez mais ao fim. Estou ainda nessa corrida sem saber ao certo como cruzei a linha de chegada, mas tenho certeza que todos os processos me fizeram aprender que o TCC nunca vai ser algo simples e fácil de fazer.

Importante destacar que esse texto foi construído de forma irônica, mas levo muito a sério cada momento que passei na construção do Trabalho de Conclusão de Curso e cada pessoa que direta ou indiretamente, fez parte dele. Mais sério que isso é meu desejo de que você construa um ótimo TCC.


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