• Ana Vertuoso

Regidos por mercúrio: a jornada do TCC de uma virginiana

Produzir um Trabalho de Conclusão de Curso não é fácil, mas essa tarefa se torna ainda mais difícil quando você é do signo de Virgem


Era uma vez, uma quase jornalista. Após três anos de muitos trabalhos, provas, aulas, festas, amizades e algumas inimizades, o fim parecia próximo. Mais um ano, um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e pronto, o diploma estaria em suas mãos. Com ele, a promessa de um mundo novo com inúmeras possibilidades e a garantia de uma cela especial, caso tudo desse errado. Porém, como você, leitor, já deve ter percebido pelo tamanho deste texto, o caminho não foi tão simples.


Para não desperdiçar seu tempo com contextualizações irrelevantes, vamos ao primeiro problema enfrentado por ela na produção do dito TCC. Ou melhor, enfrentados por mim, eu lírico e personagem desta história - caso você ainda não tenha percebido. Em 2020, o mundo foi surpreendido por nada mais, nada menos do que uma pandemia. E se isso não fosse suficiente, o vírus responsável por tal feito se espalha pelo ar - como você já deve saber bem - e obrigou a população a se distanciar.


Porém, este não é necessariamente um obstáculo acadêmico exclusivo de quem escreve este texto. Com todas as instituições de ensino brasileiras fechadas, ser estudante não foi fácil para ninguém. Por isso, seguimos para o próximo desafio:


A escolha do tema


Este é um momento de muita tensão na trajetória de qualquer acadêmico. A responsabilidade de escolher um tema sob o qual você irá dedicar horas, muitas horas, do seu ano é assustadora para qualquer um. Porém, a angústia dessa decisão se torna pior quando o estudante é virginiano e sofre de ansiedade. Veja bem, a vozinha - diminutivo de voz, não de avó - da ansiedade, que está sempre no fundo do seu cérebro, tem um talento nato para te estressar. Afinal, a única função dela é fazer você questionar todas as suas decisões, da simetria do seu corte de cabelo até a profissão que escolheu.


Aliado a isso, venho cumprir com meu papel de fã de astrologia e dizer: tudo piora para os virginianos. Regidos por mercúrio, os indivíduos que nasceram quando o sol estava neste signo são, em geral, metódicos, analíticos e detalhistas. Ou seja, são chatos. Isso porque as características que definem os virginianos fazem com se tornem bastante críticos - em relação a tudo e todos. Com isso, a autocrítica, que falta para grande parte dos partidos políticos, sobrou para a personagem deste texto.


Após algumas semanas de incerteza, a escolha do tema, que deveria ser um breve desafio no último ano de graduação, se transformou em um monstro de proporções titânicas. Foram noites mal dormidas, pesadelos com a banca, ideias e mais ideias que não levavam a lugar algum. O monstro aumentava, aumentava, aumentava e só foi "derrotado" quando a estudante conversou com seus professores. Então, aqui está uma lição: peça ajuda se estiver surtando. Todos os docentes do seu curso já passaram por este momento, sobreviveram, e podem te auxiliar na definição do que você irá pesquisar ou produzir.


Pesquisar e escrever, escrever e pesquisar


Com o tema definido, os objetivos delimitado e o Projeto de Pesquisa pronto, surgiram outros obstáculos. O maior deles foi, sem dúvida, escrever o trabalho. É até irônico uma acadêmica de jornalismo afirmar isso, mas é a mais genuína verdade. A parte de pesquisa bibliográfica foi realizada com apenas pequenos surtos e a construção dos gráficos necessários também - mesmo assim, maldito seja quem criou o Excel. Porém, quando era hora de colocar tudo isso no papel e realmente escrever a monografia...

... nada!


As frases não surgiam, as páginas não aumentavam e o monstro da ansiedade voltava a crescer. Quanto mais pensava nisso, mais ansiosa ficava e menos as palavras faziam sentido. E a solução, por mais contraditória que seja, foi escrever. Isso porque a escrita - científica ou literária - não é um talento, mas uma habilidade que precisa ser desenvolvida e cultivada a cada dia. Portanto, uma dica: se estiver com dificuldade em escrever, escreva. Primeiro, coloque todas as suas ideias no papel sem se preocupar com a qualidade (algo difícil para os virginianos) e somente depois, releia, edite e trabalhe para que o texto faça sentido.


Ou não faça nada disso. A escolha é sua, o desafio é seu e para ser sincera, acredito que não há ninguém melhor do que você para saber o que será útil nesse momento. Você não precisa seguir os conselhos de uma quase jornalista que nem formada é ainda, mas já que chegou até aqui, lembre-se: o TCC, por mais impossível que pareça, não é um monstro imbatível, ainda mais se você for virginiano.

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