• Icaro Moraes Colella

Uma bunda na cadeira faz milagre no TCC

Para muitas pessoas é comum que a produção do Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC, seja um período de grandes aflições e prazos apertados. Aqui gostaria de trazer um relato mais calmo e com perspectivas mais positivas sobre essa experiência que passam grande parte dos universitários. Fazer o trabalho que mais marca a vida acadêmica, é como cuidar uma plantinha, animal, criança, seja lá o que você personifica enquanto cuidado e esmero por algo.


A minha vivência com o TCC foi pacífica. Não chorei, tão pouco tive estresses ou surtos. Mas ninguém passa por esse momento sozinho, ao meu lado ouvi relatos de colegas que estavam tipicamente na situação oposta. Vinculo, essa minha realidade, à escolha da temática. Se você dá sorte de pensar em tema que te dá prazer em desbravar, não tenha dúvidas - o processo fica mais fácil. Para não dizer que foi tudo muito simples e fácil, em alguns momentos me peguei olhando para o trabalho e não sabia para onde seguir. Outra coisa que me fez suar de nervoso foi a compactação do sumário. Como editei todo o trabalho no word do drive, a compactação, que contém os pontinhos que ligam os tópicos as páginas, não ficava correta de jeito nenhum - então resolvi fazer manualmente - o que deu um trabalhão.


Além disso, outra parte super chata - a ABNT. Porém, algumas observadas e uma boa rede de amigos dispostos a ajudar, podem resolver tudo sem muito apelo. Aqui vai uma dica, compartilhe nem que seja as ideias, e caso tiver um amigo disposto a lê e dar palpites, melhor ainda. Eu, por exemplo, falo sobre meu tema e ouço os processos de outros acadêmicos em fase de TCC, constantemente. Me pergunto se meus amigos ainda irão aguentar a banca para escutar algo que já sabem de cor e salteado.


Sem muita enrolação, vou te contar sobre o que meu trabalho trata. Ele inicia de uma angústia própria. Ao olhar para o setor cultural jornalístico, percebo algumas fragilidades. Então, o foco da pesquisa, que resultará em uma monografia, é a oferta da disciplina de Jornalismo Cultural, - objeto de estudo - a qual seria responsável por formar profissionais que mudassem a realidade cultural do país. Iniciei o estudo com o pensamento de montar algum projeto neste sentido. Fui à biblioteca e agarrei o livro do Daniel Piza (Jornalismo Cultural). Daí, tudo começou a se desenrolar. Optei por analisar as grades curriculares das universidades conceito 5 no Enade para identificar se a oferta destas disciplinas nas matrizes curriculares geram algum diferencial no acadêmico e na área.


Feito isso, dei início à parte das entrevistas que complementam o referencial teórico. A proposta era entrevistar os professores das instituições que contemplam a disciplina para que eu pudesse emergir um pouco mais na realidade de sala da aula. Questões como: metodologia, perfil do egresso, visões para o futuro da área foram levantadas. Nas sete entrevistas com professores de cinco universidades federais e duas privadas, tive contato com os maiores pesquisadores brasileiros da área, via Google Meet. Este contato foi primordial para o desenrolar da pesquisa e também para me fez refletir sobre o desejo de seguir a carreira de docente em um futuro próximo.


Outro aspecto positivo do processo foi o contato e as trocas com a minha orientadora, Ana Paula Bourscheid. Com muita compreensão, indicações de leituras, as orientações eram leves e as conversas sempre renderam boas discussões, não só para a pesquisa. Entendemos este universo juntos e compartilhamos muito ao longo dos meses de produção. Trabalhar com professores que temos maior contato é sempre positivo.


Não posso dizer que tive fases ruins nesta trajetória. Mas houveram momentos em que a mente trava e nada sai dali. E você olha, olha, olha e seus dedos ficam estáticos no teclado sem saber para onde ir. Minha dica é: coloque uma música e faça pausas quando estiver cansado. Vá a janela, se espreguice, fume um cigarro, tome um café ou faça tudo isso ao mesmo tempo….porque os prazos batem à porta e uma bunda na cadeira, muitas vezes, faz milagres.

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